Selecione Layout

Padrão de fundo

  • #
  • #
  • #
  • #
  • #
  • #
  • #
  • #

Cor

#

Estratégico, Banco do Brasil deve ser defendido por todos

Por: Imprensa08/02/21 13:53

Instituição é líder em crédito para o agronegócio e vinha ampliando atuação digital, mas pode fechar mais de 361 unidades e perder mais de 5.500 bancários na reestruturação anunciada pelo governo Bolsonaro. Nesta quarta, 10, tem paralisação

Os trabalhadores do Banco do Brasil promovem nesta quarta, 10, paralisação nacional para defesa da instituição pública e seus funcionários. O banco, cuja origem remonta ainda à época imperial, em 1808, é um patrimônio dos brasileiros lucrativo e voltado ao desenvolvimento do País, mas corre risco de desmonte com o governo Bolsonaro.

Em quase 213 anos de existência, o BB, como é conhecido pela maioria, enfrentou guerras mundiais, diferentes formas de regimes políticos e até mesmo ditaduras. Sobreviveu e, hoje, é destaque na concessão de crédito aos brasileiros – no rural, por exemplo, vem se mantendo na liderança: em meados do ano passado, concentrava praticamente dois terços de participação no setor do agronegócio, inclusive a agricultura familiar, que responde pela maior parte da produção dos alimentos consumidos no País, empregando 74% da mão de obra rural e representando 38% da renda bruta do setor.

Também é dos poucos que está presente em muitas cidades brasileiras, várias delas atendidas unicamente por bancos públicos (17,7% do total). Figura entre os cinco maiores do País, tanto na rede de agências quanto em patrimônio e receita líquida. Além do agronegócio, financia exportações e atua na concessão de crédito com taxas de juros mais acessíveis a micros e pequenas empresas.

Mais recentemente, como relata Fernando Nogueira da Costa em seu livro Bancos e Banquetas: Evolução do Sistema Bancário (2020), vinha ampliando sua atuação no meio digital, com o estabelecimento de centenas de parcerias de open banking. “Foi o primeiro banco a trabalhar com APIs, não só para atender a regulação, mas também os negócios. Tinha 60 dessas plataformas e muitas parcerias para acontecer (...) O BB foi um dos primeiros a iniciar transações por meio do WhatsApp. Tinha ainda acordos para atendimento de clientes nas plataformas Facebook e Twitter, e para consulta de extrato bancário no Google Assistente”, descreve o autor.

Todo esse desenvolvimento, porém, passou a ser ameaçado frente às novas gestões no banco sob o atual governo e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Já no início deste ano, em 11 de janeiro, foi anunciada uma nova reestruturação. Ela deverá fechar 361 unidades do banco, sendo 112 agências. Nesta segunda, 8, o BB também anunciou em comunicado ao mercado que validou o desligamento de 5.533 funcionários, “após finalizadas as etapas de manifestação voluntária de interesse por desligamento incentivado”.

“É o desmonte sendo efetivado pelo atual governo: haverá mais trabalho para os bancários que ficam e pior atendimento para a sociedade”, explica a coordenadora do comitê nacional em defesa das empresas públicas, Rita Serrano, enfatizando o apoio às atividades de protesto que vêm sendo realizadas e que incluem ainda a conversa com parlamentares e Ministério Público do trabalho para formar novas frentes de defesa do banco. Rita também manifesta seu apoio à representante Caref Débora Fonseca, reeleita na última semana para representar os bancários do BB no Conselho de Administração.

A coordenadora lembra que o BB “é estratégico no investimento na produção de alimentos, no agronegócio; tem expertise, pessoal qualificado e robustez”, características que, avalia, garantiram sua longevidade. “O Brasil tem papel preponderante nesse setor (do agronegócio) e precisa do Banco do Brasil para ampliar sua eficiência, além de melhorar a competividade das empresas nacionais e, em consequência, contribuir para a geração de emprego e renda”, afirma.

 

Entre em

Contato