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Mais um patrimônio brasileiro é entregue: Lotex é vendida a consórcio ítalo-americano

Por: Imprensa22/10/19 11:36

Empresas do Estrela Instantânea levaram loteria com preço reduzido, parcelamento maior e concessão de 15 anos

O governo mudou as regras várias vezes, barateou o preço e finalmente conseguiu acabar com mais um patrimônio dos brasileiros, as Loterias Instantâneas – Lotex. Depois de vários cancelamentos, o leilão foi realizado na manhã desta terça, 22, em São Paulo. A Lotex agora passa para o consórcio Estrela Instantânea, formado por grupos da Itália e dos Estados Unidos, o único propositor de compra, que pagou bem menos do que valor originalmente estabelecido e em oito parcelas.

Pelas regras do edital, a outorga mínima a ser paga à União foi fixada em R$ 542,1 milhões, em 8 vezes, e o prazo de concessão será de 15 anos. O consórcio ofereceu R$ 96,969 para a parcela inicial, apenas R$ 1 mil acima do mínimo exigido (R$ 96.968.123,51). O consórcio é formado pela International Game Techology (IGT) e pela Scientific Game International (SGI). A primeira empresa é italiana, mas tem sede em Londres; a segunda empresa é dos Estados Unidos. Juntas detém atualmente 80% de participação do mercado de loteria instantânea no mundo. Estudos elaborados pelo BNDES apontam para uma receita potencial na ordem de R$ 6 bilhões já a partir do quinto ano de exploração do serviço.

Com a venda, perde o Brasil e sua população, porque o dinheiro arrecadado com as Loterias é reinvestido pela Caixa nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança pública, educação e saúde. No primeiro semestre desse ano essa arrecadação chegou a R$ 8,1 bilhões, sendo R$ 4,8 bilhões no segundo trimestre do ano. O repasse semestral para esses setores chegou a 37,3% do total arrecadado.

“O desfecho, com a venda da Lotex, caracteriza o que já denunciamos há tempos: há um fatiamento com vistas à privatização das operações do banco público, diminuindo seu papel, representando uma imensa perda para o desenvolvimento do País”, destaca a coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, Rita Serrano que, como conselheira dos empregados da Caixa votou contra essa operação no Conselho de Administração. Agora, acrescenta, é preciso ampliar ações para tentar impedir que as demais loterias sejam privatizadas.

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