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Por que São Caetano precisa de empresas públicas?

Por: Imprensa27/06/19 12:02

Pelo mesmo motivo que todo o País: para o desenvolvimento da cidade, que só em crédito imobiliário na Caixa responde por 88%. Audiência pública realizada ontem (26) na Câmara destacou este e outros aspectos; evento acontece hoje em Santo André

A cidade de São Caetano do Sul é conhecida por seu alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com o maior Produto Interno Brito (PIB) per capita da região que forma o Grande ABC.

No entanto, apesar dessa pujança, depende igualmente de empresas públicas - como Caixa, Petrobras e Banco do Brasil, por exemplo - para alavancar seu desenvolvimento.

A constatação foi apresentada durante audiência pública realizada na noite de ontem (26) na Câmara Municipal da cidade, com a presença de representantes dos trabalhadores bancários e petroleiros e organização do Sindicato dos Bancários do ABC, com o apoio do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas.

O objetivo da audiência foi esclarecer e alertar sobre os riscos de venda das empresas públicas, como deseja o governo de Jair Bolsonaro. Essas iniciativas já acontecem com a oferta de ativos em várias estatais, que passam assim às mãos do capital privado, muitas vezes multinacional, prejudicando seus trabalhadores, a sociedade brasileira e a soberania do País.

Voltando à São Caetano: do crédito total na cidade, 51% vem da Caixa que, somada ao BB, totaliza 70%. Se o assunto for crédito imobiliário esse índice sobe para mais de 88% na Caixa, banco que também opera o Bolsa Família e beneficia 974 famílias na cidade.

Tudo isso move a economia local, gera emprego e renda e o retorno é reinvestido pelos bancos públicos em programas sociais.

“Empresas públicas de fato investem no social, ao contrário das privadas, que visam simplesmente o lucro. E entregar nossas empresas, com privatizações, é fazer com que o País aprofunde ainda mais a crise que vivemos”, apontou o presidente do Sindicato, Belmiro Moreira.

A representante dos empregados da Caixa no Conselho de Administração da empresa e coordenadora do comitê, Rita Serrano, destacou ainda os muitos mitos que cercam as estatais, e apresentou publicação que questiona alguns deles, intitulada Fakes & Fatos sobre empresas públicas. “Corrupção, por exemplo, não é inerente ao setor público, e deve ser combatida com ampliação do controle social, e não com privatizações”, afirmou, acrescentando que hoje no mundo existe um movimento de reestatização, especialmente nas áreas de energia, água e transporte, e até mesmo a empresa General Motors, que está há décadas em São Caetano, teve ações compradas pelo governo norte-americano para não sucumbir à crise. “As maiores arrecadações de São Caetano vêm da Refinaria da Petrobras e da GM, que em parte é estatal, do governo americano”, ressalta.

Também representante dos empregados, a Conselheira de Administração Representante dos Funcionários (Caref) Débora Fonseca, do Banco do Brasil, lembrou do alcance dos bancos públicos em regiões como o Norte, Nordeste e Centro Oeste, onde respondem por 100% do financiamento habitacional. “Ou seja, sem eles estas regiões estariam desassistidas. Quem cumpriria esse papel, que é tão importante para a população?”, questionou.

Sérgio Takemoto, da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), apresentou mais um dado relevante: “Só para ter uma ideia, entre 2008 e 2015 o crédito nos bancos públicos cresceu 300%, enquanto nos privados apenas 80%”, afirmou, acrescentando que para as instituições privadas não há crise, pois continuam com lucros muito altos.

Outro representante bancário, Dionísio Siqueira, da comissão de empregados da Caixa, destacou a necessidade da promoção de eventos sobre a temática e de envolvimento com a política, já que o que se discute é justamente o papel dessas empresas.

Pela categoria petroleira, Alexandre Castilho falou sobre os royalties milionários advindos da Petrobras (inclusive para São Caetano), e lembrou a exploração do pré-sal, cujos investimentos foram iniciados no governo Lula e que deveriam ser aplicados em educação e saúde.

Após as exposições, a audiência abriu espaço para questionamentos do público.

O vereador Jander Lira, que representou a Casa, ressaltou a importância da discussão e contou caso recente de fechamento de agência do BB na cidade, prejudicando a população.

Ele também se comprometeu a solicitar moção de apoio dos vereadores da cidade à defesa das empresas públicas, assim que seja encerrado o recesso parlamentar.

Nesta quinta, 27, o Sindicato promove audiência sobre as empresas públicas na Câmara Municipal de Santo André, no Paço, a partir das 19h. A participação é aberta a todos os interessados.

  

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