Selecione Layout

Padrão de fundo

  • #
  • #
  • #
  • #
  • #
  • #
  • #
  • #

Cor

#

Presidentes de estatais, que deveriam zelar pelo patrimônio público, propõem privatizar

Por: Imprensa20/03/19 09:11

Governo brasileiro vai na contramão do que acontece pelo mundo, já que desde 2000 ao menos 884 serviços foram reestatizados segundo estudo de entidade holandesa

 

Presidentes de quatro grandes empresas públicas brasileiras – Caixa, Banco do Brasil, BNDES e Petrobras -, reunidos no seminário “A nova economia liberal”, organizado na semana passada pela FGV, defenderam a privatização destas e outras estatais. O posicionamento mostra, no mínimo, que estão no lugar errado, já que o papel esperado de quem dirige uma empresa seria o de zelar pelo patrimônio, valorizar a instituição, melhorar sua governança e seus investimentos.

Assim, o governo brasileiro caminha na contramão do que acontece em outros países. Desde 2000, ao menos 884 serviços foram reestatizados no mundo. A conta é do TNI (Transnational Institute), centro de estudos em democracia e sustentabilidade sediado na Holanda. As reestatizações aconteceram com destaque em países centrais do capitalismo, como EUA e Alemanha.

Isso ocorreu porque as empresas privadas priorizavam o lucro e os serviços estavam caros e ruins, segundo o TNI, que levantou dados entre 2000 e 2017. Foram registrados casos de serviços públicos essenciais que vão desde fornecimento de água e energia e coleta de lixo até programas habitacionais e funerárias. "A nossa base de dados mostra que as reestatizações são uma tendência e estão crescendo", disse a geógrafa Lavinia Steinfort, coordenadora de projetos do TNI, em entrevista ao UOL. De acordo com ela, 83% dos casos mapeados aconteceram de 2009 em diante.

As alegações adotadas pelos que defendem a privatização de empresas quase sempre giram em torno de mitos que não se sustentam quando confrontados com a realidade. A maioria das empresas públicas brasileiras são rentáveis, como é o caso dos bancos públicos, e têm como foco o desenvolvimento do País, muito diferente das empresas privadas, cujo alvo central é a lucratividade cada vez mais alta, com o enriquecimento de seus acionistas.

Outra acusação recorrente e que não se sustenta é de que a corrupção é inerente ao setor público, o que não é verdade: basta olhar para o caso das construtoras, da sonegação fiscal dos bancos, das montadoras de carros e outros tantos exemplos. A solução para combater a corrupção é o aumento do controle social e maior fiscalização, tanto no setor público como privado.

“Quando se fala em ampliação do controle social nas empresas públicas é preciso ter em mente a transparência e a democratização, não a venda do patrimônio, que é de todos os brasileiros”, avalia a coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas e conselheira do Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano. Uma forma de ampliar esse controle, destaca, seria a eleição de mais representantes nos conselhos de administração das empresas pelos trabalhadores ou representações sociais, a exemplo do que já ocorre em outros países, como Alemanha e França.

Aqui, ao contrário, serão nomeados privatistas. 
A desmistificação do quanto as empresas privadas seriam mais viáveis economicamente do que as públicas para o País é uma das metas do comitê, que em breve divulgará informativo sobre mitos e verdades que cercam as estatais. Além disso, prossegue no País a realização de seminários e audiências para abordar os riscos das privatizações, piorando a qualidade de vida.

Lotex – Previsto para 26 de março, o leilão da Lotex, as Loterias Instantâneas da Caixa, foi novamente adiado. A nova data é 26 de abril. A venda da Lotex representa uma enorme perda para os brasileiros, já que arrecadação é alta e boa parte é investida pela Caixa em programas sociais. “Vamos prosseguir mobilizados para tentar evitar essa e outras vendas”, destaca a coordenadora do comitê.

 

Entre em

Contato