Selecione Layout

Padrão de fundo

  • #
  • #
  • #
  • #
  • #
  • #
  • #
  • #

Cor

#

Correios são patrimônio dos brasileiros

Por: Imprensa22/04/21 12:04

Bolsonaro quer vender empresa rentável e eficiente, cuja origem, a institucionalização dos serviços postais, remonta a 358 anos

O governo Bolsonaro quer privatizar os Correios, uma das empresas públicas mais longevas do País. Na última terça-feira, 20, sob protestos da Oposição, a Câmara dos Deputados aprovou a tramitação de urgência do Projeto de Lei (PL) 591/2021, que abre caminho para a converter os Correios em uma sociedade de economia mista. Com isso, a proposta agora pode ser votada diretamente no plenário, sem necessidade de apreciação pelas comissões legislativas, mas não há data para que isso ocorra.

A Fentect, que reúne os trabalhadores do sistema postal, tem realizado várias iniciativas e campanhas contra o desmonte da estatal. Afinal, são 358 anos desde que os serviços postais foram institucionalizados no País, desde a criação do cargo de Correio-Mor das Cartas do Mar. Hoje os Correios representam uma extensa rede de operação e logística cuja capilaridade compreende praticamente todas as cidades brasileiras. E quem pensa que o e-mail desbancou o serviço está enganado, pois a estatal também é responsável, entre outras tarefas, pelo envio de documentos, e-commerce e a divulgação de ações e campanhas nacionais – como vacinas, provas do Enem, livros escolares e mantimentos, por exemplo.

Além disso, nas últimas décadas, a empresa teve que se repaginar com o implemento de novas tecnologias e soluções digitais. “Os Correios são essenciais para a população. É uma garantia constitucional. A privatização irá prejudicar o povo brasileiro, principalmente, aquelas pessoas que vivem distantes dos centros urbanos, que não poderão ter mais acesso ao serviço postal. A venda dos Correios só vai beneficiar o mercado privado em detrimento do povo brasileiro”, afirmou recentemente o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva.

A coordenadora do comitê nacional em defesa das empresas públicas, Rita Serrano, lembra que até mesmo o país considerado como mais liberal, os EUA, mantém o serviço postal estatizado, o United States Postal Service (USPS), com cerca de 600 mil trabalhadores. Empresas como Fedex e DHL atuam na área de encomendas sem concorrer em outros serviços prestados pela estatal, como o recente pagamento do cheque do seguro-desemprego, por exemplo, que pode ser descontado nas agências da USPS.

Durante as discussões no Congresso sobre o PL 591 parlamentares e sindicalistas ressaltaram que, em um universo de 270 países, entre desenvolvidos e emergentes, apenas oito têm serviços dos Correios privatizados: Portugal e Alemanha já começam a discutir a reestatização do serviço, que decepcionou após a privatização, e a Argentina sofreu processo idêntico no governo de Cristina Kirchner, que reestatizou o serviço após queixas da população.

“Privatizar os Correios é tirar da sociedade o direito de receber informação. Muitos serviços da empresa não geram lucros, mas cumprem uma função social. Mais uma vez o governo Bolsonaro mostra que não se importa com o povo brasileiro e que governa para o mercado”, afirma a coordenadora do comitê.

Os Correios são uma empresa pública eficiente e rentável: em 2019 tiveram receita líquida de R$ 18,356 bilhões, com lucro líquido de R$ 102,121 milhões. Embora o balanço de 2020 ainda não tenha sido divulgado, o balanço preliminar de janeiro a setembro do ano passado foi positivo em R$ 836,5 milhões. O último trimestre, quando o faturamento dos Correios tradicionalmente aumenta por causa das encomendas relacionadas à Black Friday e ao Natal, pode ter elevado esse lucro à casa do R$ 1,5 bilhão.

Entre em

Contato