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Lutar contra o preconceito é lutar por Justiça

Por: Aline Rossi19/11/2021 16:48

No Dia da Consciência Negra, Rita Serrano te convida para debater o racismo estrutural.

 

Não é preciso pesquisar muito. Basta dar um google. A definição de Racismo Estrutural está lá para quem quiser.

Racismo estrutural é a formalização de um conjunto de práticas institucionais, históricas, culturais e interpessoais dentro de uma sociedade que frequentemente coloca um grupo social ou étnico em uma posição melhor para ter sucesso e ao mesmo tempo prejudica outros grupos de modo consistente e constante causando disparidades que se desenvolvem entre os grupos ao longo de um período de tempo. (wikipédia)

Por si só, a definição do conceito não é suficiente para compreender a dimensão de como o Racismo Estrutural se reflete na sociedade. Ele é cruel. Por isso, é preciso conhecer para combater. E vem de muito tempo.

No dia 13 de maio de 1.888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. Teoricamente, colocou fim à escravidão. Entretanto, o que não se ensina nas escolas, é que não houve a criação de nenhuma medida de proteção social aos escravizados, que estariam em liberdade e jogados à própria sorte.

Sem trabalho nem renda, as mulheres tiveram de se sujeitar a continuar servindo aos fazendeiros em serviços domésticos, por pequena remuneração, ou em troca de comida e casa para morar. Tudo isso para sobreviver. Os homens foram simplesmente descartados e jogados à margem da sociedade.

Vem daí o termo ‘marginalidade’, já que esses homens praticavam delitos para poder comer e garantir um mínimo de sobrevivência. E com o passar dos tempos, estigmatizados, os negros continuaram submetidos às oportunidades de trabalho mais precárias, na grande maioria, trabalhos braçais.

Isso se reflete nos dias de hoje. De acordo com o Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas (Dieese), em 2019, o salário médio de trabalhadores negros foi 45% menor do que do que o dos brancos, segundo a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A mesma pesquisa mostra que entre as mulheres negras a situação é pior ainda. A média salarial para elas chegou a ser a 70% menor do que das mulheres brancas.

E não importa o grau de escolaridade, mesmo negros com curso superior ganham menos que os brancos. De acordo com uma pesquisa do Instituto Locomotiva, o salário médio de homens não negros com ensino superior em 2019 ficou em R$ 7.033, enquanto o dos negros ficou em R$ 4.834, uma diferença de 31% a menos. 

Já as mulheres negras com formação superior receberam no ano passado salário médio de R$ 3.712 contra R$ 4.760 das mulheres brancas.

Pandemia Covid-19

A pandemia da Covid-19 reforçou a desigualdade entre negros e não negros no mercado de trabalho.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram que mais de 6,4 milhões de homens e mulheres negros saíram da força de trabalho – como ocupados ou desempregados, entre o 1º e o 2º trimestre de 2020, isto é, perderam ou deixaram de procurar emprego por acreditar não ser possível conseguir nova colocação. Entre os brancos, o número de pessoas nessa mesma situação chegou a 2,4 milhões.

Na comparação entre o 4º trimestre de 2019 e o 2º trimestre de 2020, entre os negros, o número subiu para 7,4 milhões. Para os não negros e não negras, o total pouco se alterou, chegando a 2,7 milhões de pessoas.

Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada em agosto de 2021, reforça ainda mais os dados. A diferença em ponto percentual na proporção de ocupados brancos era 2,4 maior em 2015 e alcançou 5,3 em 2020.

Outro estudo da FGV revelou que a pobreza piorou em todo o país. Apenas três estados (Acre, Pará e Tocantins) não sofreram aumento. Atualmente, o país conta com mais de 14 milhões de famílias na pobreza extrema.

Sistema financeiro

Na 23ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada em setembro deste ano, os bancários debateram a situação da categoria. Um estudo apresentado pelo Dieese mostrou, por meio de números, as consequências do Racismo Estrutural.

Em 2019, o setor financeiro empregava 513.423 trabalhadores. Desse total, apenas 3,3% eram negros. Ou seja: pouco mais de 16 mil pessoas negras trabalham no sistema financeira. Já os brancos representam 72,7%. Um total de 373.258.

Na Caixa, onde represento os empregados no Conselho de Administração, a realidade não é diferente. Dos pouco mais de 85 mil trabalhadores, apenas 3.020 são negros. Isso dá 3,52% do total.

Enfrentar o racismo não pode ser uma luta somente da população negra. Tem que ser também dos brancos, amarelos, pardos, indígenas. Enfim, de todos.  Só é possível ter uma sociedade de paz e justa, se respeitarmos as diferenças.

Com informações do Dieese, FGV, IPEA e Contraf-CUT

 

Maria Rita Serrano

Coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas

Representante dos Empregados no Conselho de Administração da Caixa

 

 

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